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Economia


Estrutura económica

Nas últimas décadas, Portugal, a exemplo dos seus parceiros europeus, desenvolveu uma economia cada vez mais baseada nos serviços. Actualmente, este sector representa 57,7%, em termos de emprego, e 71,2% do valor acrescentado bruto (VAB), enquanto o sector agrícola só absorve 11,7% do emprego e contribui apenas com 3,5% para o VAB. A indústria, construção, energia e água representam 30,6% do emprego e 25,3% do VAB. Refira-se que a indústria transformadora alterou a sua estrutura tradicional, passando de uma grande dependência das indústrias têxtil, do calçado, das cerâmicas, da cortiça, da reparação naval, da alimentação e bebidas, para uma situação em que novos sectores ganharam peso e uma dinâmica de crescimento, nomeadamente o dos automóveis e componentes, da electrónica e farmacêutico, entre outros, tornando-se cada vez mais importantes na economia. Os serviços tornaram-se o sector mais dinâmico e diversificado, com o comércio, os transportes e comunicações, o turismo e os serviços financeiros a apresentarem taxas de crescimento elevadas.

 Política económica recente

Durante a década de 90 Portugal seguiu uma política económica determinada pelos critérios de convergência da União Económica e Monetária (UEM), do que resultou a entrada do país na zona euro em Janeiro de 1999. Devido ao desfasamento da política expansionista praticada face aos reais fundamentos da economia nacional, nomeadamente ao nível da administração pública, houve necessidade de se implementar, a partir de 2002, uma política fiscal mais restritiva, com vista à redução do défice público. De entre as medidas adoptadas salientam-se o aumento da taxa normal do IVA, a imposição de cortes nas despesas, o encerramento e reestruturação de várias instituições públicas, a proibição de renovação dos contratos temporários de trabalho no sector público, entre outras medidas e reformas, nomeadamente a do mercado laboral.

Em 2006, a economia portuguesa cresceu 1,3%, traduzindo uma evolução mais favorável face à observada nos anos anteriores. Em geral, o perfil de crescimento foi marcado pelo desempenho extremamente positivo do sector exportador de bens e serviços, com a procura externa líquida a registar uma contribuição de 1,0 pontos percentuais (p.p.) para o crescimento global do Produto (-1,3 p.p. e -0,5 p.p. em 2004 e 2005, respectivamente).

Apesar duma ligeira recuperação ao nível das transferências correntes, o ano passado observou um agravamento do défice externo, reflexo da acentuada deterioração do défice primário de rendimentos e, em menor extensão, das transferências de capital.

Por seu lado, a contribuição da procura interna para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi praticamente nula (0,3 p.p.), resultado da moderação do consumo privado e da queda do consumo público, evolução que reflecte a necessária correcção dos desequilíbrios macroeconómicos da economia portuguesa.

Embora a variação negativa do investimento tenha sido menor que em 2005, este indicador continuou a ser o elemento mais desfavorável da evolução económica.

De destacar, também, em 2006, a redução do défice do sector público para 3,9% do PIB, que traduz um resultado bastante positivo relativamente aos 6,1% no ano anterior e ao objectivo de 4,6% inscrito no Programa de Estabilidade e Crescimento 2006 – 2010.