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Laços históricos

 Grand Master Luís Mendes de Vasconcellos
Grão Mestre Luís Mendes de Vasconcellos

A história das relações entre Portugal e Malta está indissoluvelmente ligada à Ordem de S. João do Hospital, também chamada Ordem de Malta, à qual a ilha foi cedida pelo Imperador Carlos V com o objectivo de ser assegurada a defesa do Mediterrâneo Ocidental das ofensivas do Império Otomano e dos piratas muçulmanos, muitas vezes aliados ou ao serviço dos turcos, que punham em perigo o comércio marítimo naquela área.

A Ordem teve, durante os séculos XVII e XVIII, três Grão-Mestres portugueses.    

Os Grão-Mestres  

O período durante o qual D. Luiz Mendes de Vasconcelos esteve à frente dos destinos da Ordem (1622-1623) foi demasiado curto e deixou poucas marcas.  

Foi apenas com a eleição de D. António Manoel de Vilhena como Grão-Mestre (1722-17369 que a influência de portugueses se viria a fazer notar.

Vilhena ergueu nas ilhas maltesas alguns dos mais sumptuosos e elegantes edifícios do que é o legado da Ordem a Malta. O encantador Palácio em Mdina que leva o seu nome, a jóia do Teatro Manoel, o teatro da Corte, em Valletta, a Casa de Campo em Santa Venera, a Banca Giuratale na ilha de Gozo, testemunham o seu zelo de construtor. A sua benevolência garantiu a Malta um Hospital para doentes incuráveis e uma casa para mulheres pobres. Delineou e iniciou a construção do subúrbio residencial de Foriana que ainda ostenta o título de Borgho Vilhena e uma estátua do Grão-Mestre. Fortificou a Ilha de Marsamuscetto, hoje conhecida como Manoel Island. Em 1724 codificou pela primeira vez as leis de Malta. Foi o primeiro Grão-Mestre a receber das moas do Papa a honraria régia do Estoque e Pilar, um barrete de veludo e uma espada ornamental.

A fama de Vilhena despertou uma grande atenção em Portugal, originando a publicação dos dois primeiros mapas de Malta portugueses. Um foi desenhado em 1736 por João de Abreu Gorjão e publicado na “Memória da Ordem” de Frei Lucas de Stª. Catarina. O mais pequeno foi publicado por Manoel Pimental mais ou menos no mesmo período.  

Cinco anos apenas após a morte de Vilhena, outro português foram eleitos Grão-Mestre, D. Manuel Pinto da Fonseca, que reinou até 1773, quando morreu já nonagenário. O magnificente Pinto, um déspota iluminado e absoluto, encorajou as ligações comerciais que há muito existiam entre Malta e Portugal. A sua grande ambição levou-o a adoptar o título de “Alteza Sereníssima” e a fazer-se retratar com a “Coroa Fechada” dos Príncipes Soberanos. Reformou, embelezando-o, o Palácio da Castellania (o Tribunal), construiu a monumental Porta de Armas do Monte Redenzione em Mellieha e o Albergue de Castela, Leão e Portugal, actual sede do Governo maltês, conserva intacta a sua rica fachada que data da sua época e ostenta o seu busto, sendo encimada pelas Armas de Portugal, ao lado das de Castela. Criou a Universidade de Malta e, durante o seu reinado, foi publicado em Lisboa um número considerável de livros sobre temas navais malteses e sobre “a formosa Ilha de Malta”.

A expulsão dos franceses  

Os finais do século XVII, testemunhou um episódio de grande proximidade entre malteses e portugueses. Em 19 de Setembro de 1798, a Armada Portuguesa veio em auxílio de Malta. Era comandada pelo Almirante Marquês de Niza, que estabeleceu um bloqueio dos invasores franceses e desembarcou um contigente em auxílio dos revoltosos malteses. Um oficial português, Xavier Mateus, foi condecorado por bravura no campo de batalha e alguns marinheiros portugueses morreram em combate na zona do porto, até 13 de Dezembro, quando, finalmente, dois regimentos britânicos alcançaram a ilha. O retrato do Marquês de Niza, assim como um mapa das operações da frota, está preservado no Museu da Marinha em Lisboa.    

As relações luso-maltesas na actualidade  

Malta tornou-se uma colónia britânica. Em 1964, Malta obteve a sua Independência. As relações diplomáticas foram estabelecidas em 1968, sendo asseguradas pelas Embaixadas de Portugal em Roma e de Malta em Paris. Os dois países assinaram acordos no domínio dos transportes aéreos, da Cooperação Científica e Cultural e para evitar a dupla tributação. Está em estado adiantado de negociação sobre Cooperação na Luta contra o Tráfico de Droga, Crime Organizado e Terrorismo. Após a adesão de Malta à EU (2004), os dois países decidiram elevar o nível das suas representações diplomáticas e, em 2005, foi nomeado o primeiro Embaixador português residente; no ano seguinte, entrou em funções o primeiro Embaixador de Malta residente em Lisboa.


Grand Master António Manoel de Vilhena
Grão Mestre António Manoel de Vilhena
Grand Master Emmanuel Pinto de Fonseca
Grão Mestre Emmanuel Pinto de Fonseca
Admiral Marquis de Niza
Almirante Marquês de Nisa